Enquanto vê televisão também fala ao telemóvel e navega na internet: os portugueses são cada vez mais consumidores de diversas plataformas em simultâneo.
O consumo de media em Portugal é hoje caracterizado pela utilização ao mesmo tempo de várias plataformas, da internet à televisão, passando pelo inseparável telemóvel. A rádio e a imprensa são cada vez mais os parentes pobres. Estas são algumas das conclusões de um estudo encomendado pela APAN – Associação Portuguesa de Anunciantes à GfK, uma das maiores empresas de estudos de mercado, e apresentado hoje em Lisboa.
Segundo o estudo “Comunicar na era da informação. Que mudanças no consumo de media em Portugal?”, mais de metade dos portugueses consegue utilizar vários meios em simultâneo, indo a preferência para o uso da televisão, telemóvel e internet. Preferencialmente utilizam a TV e o telemóvel – 4% usam-nos sempre em simultâneo, 14% com frequência, e 33 às vezes -; mas também a TV e a internet – 1% sempre, 4% frequentemente, 14% às vezes.
Já a conjugação entre TV e imprensa escrita em papel – que há também 8% que às vezes lêem imprensa na net enquanto espreitam o pequeno ecrã -, ronda os mesmos valores que a dupla televisão e rádio. Enquanto estão a ver televisão, 13 por cento dos portugueses aproveita para, às vezes, ler jornais, 11% lê revistas. Dez por cento da população por vezes ouve rádio enquanto vê TV e a mesma percentagem diz ouvir música e TV em simultâneo.
Não admira, por isso, que para os jovens seja muito mais fácil de abdicar da televisão do que do telemóvel. Um quinto dos jovens diz que seria difícil deixar de ver televisão – contra 53 por cento do total dos inquiridos e 81% dos maiores de 65 anos. Mas quase metade (45%) dos jovens responde que seria difícil abdicar do telemóvel – contra 23 por cento do total e apenas 4% dos seniores. Um quarto dos jovens (26%) também consideram ser-lhe difícil deixar de navegar na internet, ao passo que apenas 1% dos maiores de 65 anos diz que seria difícil abdicar da rede.
De acordo com o estudo, a televisão continua a ser o meio mais abrangente e quem vê este suporte diz que a sua principal motivação é ver notícias e informação (94%), mas o factor “para fazer companhia” também tem muito peso. Ver filmes (15%), ouvir música (15%) e ver novelas (13%) são igualmente justificações para seguir a pequena caixa que mudou o mundo. Apenas 9% incluem entre os principais motivos a resposta “ver publicidade”.
Entre os principais motivos apontados pelos inquiridos para a utilização da internet está o uso do correio electrónico (75 por cento), a pesquisa de informações e notícias (64%) e a utilização de redes sociais (35%; mas chega aos 49% no caso dos jovens). A pesquisa de produtos, serviços e marcas – o território da publicidade – é indicado por 28% dos inquiridos, e a leitura de jornais on-line é apontada por 16%.
No campo do telemóvel, são os jovens quem mais explora as funcionalidades dos aparelhos. Sem ser para falar, 63% dos inquiridos usam o telemóvel para enviar e receber SMS, enquanto nos jovens entre os 15 e os 24 anos esta função sobe para os 97%. Apenas 21 por cento do total de inquiridos usa o telemóvel para tirar fotos (45% dos jovens), 20% usa-o como despertador (42% dos jovens), 12% para ouvir música (40% nos jovens), 11% para trocar MMS e usar a calculadora (30 e 24%, respectivamente, nos jovens), e 6% jogam e ouvem rádio (23 e 17% nos jovens).
O estudo incluiu 1251 entrevistas directas e pessoais validade a pessoas com 15 anos ou mais entre os dias 14 e 25 de Outubro passado. O objectivo era perceber de que forma é que, num contexto económico de recessão mas ao mesmo tempo de grandes mudanças tecnológicas, os consumidores se relacionam com as marcas – ou seja, através de que meio têm (maior) contacto com a publicidade.


