Venezuela: co-piloto apela a Jorge Sampaio que interceda junto de Hugo Chávez

27.09.2005 - 08:54 Por Lusa
O co-piloto português da Air Luxor Luís Santos, que está a ser julgado na Venezuela por suspeitas de tráfico de droga, apelou hoje a Jorge Sampaio para que interceda junto de Hugo Chávez, aquando da visita do chefe de Estado venezuelano a Lisboa.
Chávez deverá passar pela capital portuguesa em Outubro, nos dias prévios à Cimeira Ibero-americana, que terá lugar em Salamanca, Espanha.
"Peço encarecidamente ao Presidente Jorge Sampaio que fale com Hugo Chávez sobre a minha situação, que não perca esta oportunidade de ajudar um cidadão português que, sendo inocente, está detido há quase um ano neste país", disse Luís Santos à Lusa.
O Presidente Hugo Chávez deverá efectuar visitas a Portugal, Espanha, Itália, Rússia e França entre 11 e 25 de Outubro.
As declarações de Luís Santos surgiram depois de ontem ter sido noticiado que a juíza Maria Esther Roa, titular do seu processo, tinha renunciado às suas funções.
O processo de Luís Santos envolve ainda três passageiras portuguesas e seis venezuelanos detidos por suspeita de tráfico de droga, e que desde há quase um ano esperam pelo julgamento, adiado mais de duas dezenas de vezes.
Fonte judicial disse à Lusa que a juíza renunciou às suas funções por problemas pessoais, relacionados com questões de saúde de um familiar.
"Com isto, espero que o meu Presidente e o meu governo fiquem com uma noção da gravidade das coisas. [Espero] que de uma vez por todas entendam que faz falta algo mais que cartas de cumprimentos, que é preciso acções concretas, firmes, no terreno, em defesa de um cidadão português que, sendo inocente, está preso há quase um ano", sublinhou Luís Santos.
O co-piloto considerou que a decisão da juíza de abandonar o processo pode indiciar que a próxima sessão do julgamento (marcada para 6 de Outubro) será adiada.
"Assim estaremos, de adiamento em adiamento, até que consigam argumentos para condenar um inocente e assim poder confiscar definitivamente o avião" apreendido pelas autoridades venezuelanas, disse.
Segundo Luís Santos "a juíza teve sempre um comportamento submisso ao Ministério Público, dava indicação de estar sob grande pressão, ao ponto de fazer a vontade a uns militares e autorizar o envio da aeronave para um sítio sem que os representantes legais do dono saibam qual é ou à guarda de quem está".
O caso remonta a finais de Outubro de 2004 quando quatro portugueses - o co-piloto Luís Santos e as três passageiras de um avião a jacto particular -, e seis venezuelanos foram acusados pelo Ministério Público venezuelano de tráfico de estupefacientes.
Foi a própria tripulação do avião que encontrou, e denunciou às autoridades, um carregamento de quase 400 quilogramas de cocaína que seria enviada para Portugal por via aérea.
O processo envolvia ainda o piloto e a hospedeira da aeronave, que foram libertados nos primeiros dias de Novembro, enquanto o co-piloto Luís Santos está em prisão domiciliária desde Dezembro do ano passado, depois de um período de dois meses numa cadeia local.
As três passageiras continuam também detidas numa cadeia venezuelana.

