Transgénicos: activistas acusam Agência de Segurança Alimentar de falta de isenção

20.04.2005 - 14:58 Por Lusa
Oito organizações não governamentais reunidas numa plataforma criticaram hoje a isenção dos pareceres da Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA) sobre a comercialização de transgénicos e afirmaram que os organismos geneticamente modificados (OGM) no mercado não têm sustentação científica válida.
Esta manhã decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, um fórum sobre qualidade e segurança alimentar, onde participou Herman Kweter, director científico da AESA.
Elementos da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, concentrados em frente à fundação, criticaram os cientistas da AESA por emitirem pareceres sem o distanciamento necessário, devido "às ligações directas e indirectas à indústria que era suposto avaliarem criticamente", acusou a porta-voz da plataforma, Margarida Silva.
Em comunicado, o movimento refere que a Comissão Europeia legitima as suas aprovações sobre a comercialização de novos OGM exclusivamente com base nos pareceres dos cientistas da AESA, mas afirma que estes "carecem de rigor científico e de precaução social".
"O Painel OGM já emitiu mais de uma dúzia de pareceres sobre pedidos de comercialização de novos transgénicos e todos eles foram extremamente favoráveis à indústria", lembrou.
AESA afasta ameaça de OGM à saúde e alimentação animal
Herman Kweter admitiu que as investigações feitas pelos cientistas são pagas "por vários grupos", incluindo universidades, Governos e a própria indústria, mas sublinhou que "não são menos independentes por isso".
O responsável garantiu que, "até agora, os OGM avaliados pela AESA não colocam ameaças à saúde humana nem à alimentação animal".
Margarida Silva lamentou o distanciamento dos cientistas portugueses e a "grande falta de conhecimento dos portugueses sobre o que representa esta tecnologia". Além disso, criticou a nova legislação sobre transgénicos que o Governo pretende aprovar e que impõe uma distância mínima de 200 metros para evitar a contaminação de culturas.
A plataforma realiza uma conferência de imprensa esta tarde, com a presença do advogado José Sá Fernandes, que vai avançar com uma providência cautelar para impor uma moratória sobre o milho transgénico em Portugal.

