Previsões agrícolas avançadas pelo INE

Situação de catástrofe no sector dos cereais

20.07.2005 - 08:03 Por José Manuel Rocha, , (PÚBLICO)

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O caso mais grave será o do trigo duro, que não deverá ir além dos 360 quilos por hectare, cerca de 30 por cento da produtividade alcançada no ano passado O caso mais grave será o do trigo duro, que não deverá ir além dos 360 quilos por hectare, cerca de 30 por cento da produtividade alcançada no ano passado (DR)
A campanha de cereais em curso poderá ser a pior das últimas décadas. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, a produtividade de muitas das principais culturas poderá ficar significativamente abaixo dos 50 por cento face aos registos de 2004.

O caso mais grave será o do trigo duro, que não deverá ir além dos 360 quilos por hectare, cerca de 30 por cento da produtividade alcançada no ano passado.

Nas previsões agrícolas assentes nos dados de 30 de Junho, o INE escreve que os cereais de pragana atingiram a maturação e que já estão a decorrer as respectivas ceifas. "As debulhas já efectuadas apontam para quebras significativas da produção, corroborando as previsões anteriores que colocam esta campanha como a pior das últimas décadas". Portugal terá, por isso, que recorrer a mais importações.

As quebras de produção nos cereais são um fenómeno comum a diversas culturas, embora com graduações diferentes. Para além do trigo duro, são assinaláveis as quebras também para 30 por cento das produtividades no triticale e para 35 por cento no trigo mole, na aveia e na cevada. Reduções menos graves acontecem no centeio (para 70 por cento do produzido em 2004) e no milho de sequeiro (para 85 por cento). O arroz deverá manter a produtividade do ano passado, na ordem dos 5761 quilos por hectare.

O INE atribui este quadro ao facto de os últimos meses terem registado situações climatéricas nada favoráveis ao desenvolvimento destas espécies vegetais. "O mês de Junho foi, de um modo geral, quente e seco, com temperaturas médias do ar por vezes bastante acima dos valores normais para a época e escassa precipitação. Este quadro meteorológico, embora pontualmente positivo para agricultura (permitiu a conclusão das sementeiras de Primavera, o desenvolvimento dos frutos das culturas permanentes e a secagem dos últimos fenos), agravou a situação de seca com diminuição dos níveis de humidade no solo e das disponibilidades de água para rega", refere o instituto.

Situação menos preocupante verifica-se nos frutos frescos, onde as produtividades estão ao nível do verificado no ano passado e um pouco acima da média dos últimos cinco anos. A excepção á regra é a pêra, cuja produtividade média deverá baixar para 11.240 quilos por hectare, cerca de 80 por cento do registado no ano passado. A pêra (especialmente da variedade pêra-rocha) é dos principais produtos de exportação entre os frutos frescos portugueses.

O instituto nota como preocupação especial, no quadro da agricultura nacional e face a um quadro climatérico anormalmente quente e seco, a situação na pecuária. "No que diz respeito à alimentação animal, a situação é de carência generalizada e grande preocupação quanto ao futuro, uma vez que os stocks forrageiros são insuficientes para assegurar as necessidades do efectivo pecuário", sustenta o instituto.

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