“Com a determinação de sempre irei submeter-me a essa decisão.” Na mesma declaração ao país em que anunciava a sua demissão, José Sócrates prometia não desistir da luta pelo poder. O primeiro-ministro foi peremptório ao afirmar que a crise política provocada pelo chumbo do PEC IV obrigaria à “decisão soberana” dos portugueses através de eleições antecipadas.
Classificando a crise como “desnecessária, evitável e inoportuna”, no pior momento para o país, culpou os cinco partidos da oposição que apelidou de “coligação negativa”. E lamentou que nenhuma força política tenha estado disponível para a negociação do PEC, acusando-as de nunca terem querido comprometer-se com a governação.
Sócrates, que revelou a sua decisão ao país depois dela já ser conhecida graças a uma nota do Presidente da República, visou ainda directamente o principal partido da oposição, o PSD, que foi declarado culpado de “sofreguidão e impaciência pelo poder”. “Hoje o país perdeu, não ganhou”, continuou, antes de concluir que “a situação da economia e das famílias ficou refém do calculismo político mais imediato”.
O demissionário primeiro-ministro repetiu ainda várias vezes ao longo da intervenção de cerca oito minutos, que o seu principal combate estes meses foi sempre “pelo interesse nacional, protegendo o país de um programa de ajuda externa”. E acrescentou que o FMI “propõe medidas muito mais duras de austeridade” do que aquelas que o PEC IV previa para o país. Sócrates aproveitou para relembrar que contava com o apoio do BCE e da UE para o plano de austeridade que desejava ver aprovado.


