"Só faltava levar o barrete na mão e levar a mão estendida a pedir esmola à senhora que, de repente, aparece como a dona ou a mandona da Europa, da tal União Europeia a 27 que neste momento é dirigida por essa grande potência." A declaração é do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e critica o encontro entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e a chanceler alemã, Angela Merkel, para preparar a cimeira de ministros das Finanças de quarta-feira.
Intervindo no comício de sexta-feira, na Aula Magna, em Lisboa, realizado para festejar os 90 anos do PCP, Jerónimo de Sousa manteve o tom irónico e prosseguiu: "Aí, a senhora Merkel, olhando para o pobre, disse: 'Tenha paciência'. Elogiou muito a sua conduta, mas disse: 'Tenha paciência que a questão da dívida, logo se vê'".
Regressando ao tom de interpelação política, Jerónimo de Sousa interrogou-se: "Onde está o tal princípio da igualdade, coesão e solidariedade que andaram a vender a propósito da adesão à UE?" E rematou que o "pacto para a competitividade" e a "governação económica" representam "um passo mais adiante na dependência" nacional, propondo "um leque de medidas que significariam no plano social novos ataques a quem trabalha e um novo ataque à soberania nacional".
Já sobre a Líbia, o líder do PCP afirmou que "o imperialismo aí está já a preparar a possibilidade de perpetrar um novo crime, desta feita contra o povo líbio". E, frisando que Portugal integra o Conselho de Segurança das Nações Unidas, desafiou o Governo a rejeitar qualquer intervenção militar.
Notícia actualizada às 12h54


