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Madeira

Jardim: “O meu lema é pôr as pessoas felizes e não agradar ministros das Finanças”

01.10.2011 - 13:51 Por Lusa

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Alberto João Jardim diz que "o dinheiro anda a dominar o Estado" Alberto João Jardim diz que "o dinheiro anda a dominar o Estado" (Foto: Duarte Sá/Reuters)
O presidente do Governo Regional da Madeira afirmou este sábado que o seu lema “é pôr as pessoas felizes e não agradar aos ministros das Finanças”. Alberto João Jardim disse para não contarem com ele para “jogos de dinheiro”, um dia depois de se ter ficado a saber que a dívida da região é de 6328 milhões de euros.

O valor, revelado ontem pelo ministro das Finanças, é 465 milhões de euros superior ao que tinha sido anunciado pelo Governo regional. Vítor Gaspar sublinhou que a dívida da Madeira representa 123% do PIB do arquipélago e 927% da sua receita fiscal anual. Quase metade da dívida (47%) é relativa às empresas públicas regionais.

A resposta de Alberto João Jardim foi dada hoje, na inauguração de uma unidade de saúde privada, no Caniço, concelho de Santa Cruz. O chefe do Executivo madeirense acusou, de novo, a Europa de estar “consagrada à adoração do bezerro de ouro”.

“Dá a impressão que cada um de nós está reduzido a uma parcela orçamental, está reduzido a uma parcela da manipulação dos números e em que a vida dos países não está centrada sobre aquilo que é fundamental, que é a dignidade e as necessidades da pessoa”, afirmou.

“Não contem comigo para esses jogos de dinheiro, em que o dinheiro não é posto ao serviço dos cidadãos, em que o dinheiro não é posto pela banca ao serviço das pequenas e médias empresas, em que o dinheiro anda a dominar o Estado”, acrescentou o governante, relevando que “hoje é tudo um jogo de cifrões”.

Alberto João Jardim disse ainda que o país “vive num paradoxo”, pois quer “resolver os seus problemas num sistema capitalista selvagem, mas ao abrigo de uma Constituição que é, ideologicamente, socialista”. O presidente do Governo Regional considera que isto é “estar a brincar com coisas sérias”.

“É, de facto, algo que não se entende, porque podem fazer as contas todas, se o Estado não for reformado de alto a baixo, Portugal não consegue resolver os seus problemas, se o Estado não tiver uma visão humanizada dos cidadãos, os cidadãos não vão poder suportar este tipo de Estado por muito mais tempo”, referiu.

Segundo Alberto João Jardim, “pensar que se vai resolver, com as actuais estruturas constitucionais, o problema de Portugal sem reformas, é, no fundo, um pouco aquilo que se passou com os antigos cristãos na velha Roma”.

“Parece-me que há gente em Portugal que quer morrer pela Constituição, quer ser mártir do regime político e prefere que o país continue a ir para o fundo.” João Jardim mostrou-se convicto de que as pessoas de “bom senso” percebem que Portugal está a “atingir os limites” das suas possibilidades.

Quanto ao investimento de 15 milhões de euros na nova unidade de saúde, com instalações adaptadas de um hotel, questionou: “Um pobre presidente do Governo com dívida o que é que vai dizer?” Jardim desejou “muito sucesso” a António Saramago, responsável pelo investimento, que vai gerar uma centena de postos de trabalho.

No discurso, o empresário justificou o investimento na Madeira: “É uma ilha em que há liderança e para um empresário liderança é essencial”.

“Maquilhagem para proteger o PSD na Madeira”

O ponto de vista de António José Seguro é diverso. O líder socialista, que está no Funchal a acompanhar a campanha do PS, disse este sábado que a conferência de imprensa em que Vítor Gaspar revelou o valor da dívida da Madeira “foi uma maquilhagem feita para proteger eleitoralmente o PSD na Madeira”.

“Há aqui uma protecção entre pessoas do mesmo partido. Isto é uma situação grave. Os madeirenses e os portugueses em geral têm o direito de conhecer verdadeiramente o que se passou na Madeira e as consequências gravosas”, frisou.

A CDU reagiu, por seu lado, com uma ameaça: “Essa dívida não é nossa e, se necessário for, faremos um apelo à desobediência civil para que a população recuse pagar esse pacote de sacrifícios adicionais”.

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Tudo bem

Queres fazê-las felizes? Fá-lo com o teu dinheiro e não com o meu !

Ricardo Felisberto

01.10.2011 17:44

X

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