Grupo de militares de Abril contra casamento entre homossexuais

17.02.2010 - 19:18 Por Catarina Gomes
Um grupo inicial de 25 militares de Abril escreveu uma Carta Aberta contra a lei que permite o casamento entre homossexuais, que consideram ser uma “aberração”, disse em conferência de imprensa um dos seus subscritores, o general Garcia Leandro.
O documento, que vai ser entregue aos órgãos de soberania, pretende reunir mais assinaturas, disse o militar, que é também vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família, organização que diz não ter sido ouvida pela Assembleia da República. “Houve pressa de aprovar o diploma sem ouvir as famílias”, criticou.
Numa conferência de imprensa realizada hoje em Lisboa pela Plataforma Cidadania Casamento, que defende um referendo ao casamento entre homossexuais, o general lembrou que esta carta “teve de ser feita à pressa”, tal como o diploma aprovado este mês no parlamento, que “carece de legitimidade alargada”, lê-se no documento assinado por nove generais, três almirantes, dez coronéis, um capitão mor, um tenente-coronel e um comandante.
“Isto é uma aberração e vai contra a estrutura da família”, disse o general Garcia Leandro, lembrando que à união entre duas pessoas do mesmo sexo não pode ser dado o nome de “casamento, pela carga histórica e cultural associada à instituição”
“Os militares não têm mais direitos do que as outras pessoas, mas acontece que os militares que fizeram o 25 de Abril foram pessoas que arriscaram toda a sua carreira por algo em que acreditavam”, lembrou o general. “Não queremos criar problemas ao poder político, mas o poder político também não pode criar problemas à sociedade civil”, sublinhou.
Para o general, o diploma aprovado no passado dia 11 na Assembleia da República foi “uma decisão demasiado forte que vem contra um conceito histórico e que vai destruir a família”.
“O PS está de tal modo inseguro que impôs a disciplina de voto, porque 50 por cento das pessoas que votaram no PS estão contra isto”, defendeu o general, na conferência em que foi anunciada uma manifestação nacional para este fim de semana em Lisboa.
Nos últimos dias, a Plataforma Cidadania Casamento criou por todo o país 19 Comités Família e Casamento, que têm promovido acções junto das populações. A porta-voz do movimento, Isilda Pegado, voltou hoje a afirmar que a plataforma vai continuar a sua actividade até que a população seja ouvida, notando que no mundo já se fizeram 42 referendos sobre esta questão e que há apenas sete países no mundo onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido.
A Plataforma Cidadania Casamento realiza no sábado uma manifestação em Lisboa que deverá reunir simpatizantes de todo o país na luta por um referendo à lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
O diploma foi aprovado este mês na Assembleia da República, mas para na plataforma ainda existe esperança: “a lei foi remetida para o Presidente da República e ainda é desconhecida a sua decisão”.
Contra a “imposição de um modelo de sociedade” que vê a homossexualidade como uma “moral do Regime”, Isilda Pegado explicou que a plataforma decidiu promover uma manifestação “em defesa dos direitos do casamento entre homens e mulheres”.
A poucos dias da manifestação, os responsáveis não conseguem antever qual será a adesão à iniciativa, mas lembram que em três semanas conseguiram recolher mais de 90 mil assinaturas a favor da realização do referendo.
A manifestação começa às 15h00 no Marques de Pombal e vai descer a Avenida da Liberdade até à Praça dos Restauradores, onde vai decorrer a Festa da Família.

