A “imensidão da área de operação” é uma das principais dificuldades que a fragata portuguesa Vasco da Gama enfrentará no comando da missão naval da União Europeia de escolta contra actos de pirataria nos mares da Somália.
À partida da Base Naval de Lisboa, o futuro comandante da força da União Europeia, o comodoro português Alberto Silvestre Correia, admitiu que com os nove navios que ficarão sob o comando de Portugal “é impossível patrulhar uma área tão grande”, equivalente a toda a Europa.
“Vamos conseguir com certeza fazer alguma dissuasão e evitar que os piratas se sintam em liberdade para actuar impunemente. Com a nossa presença eles não vão conseguir operar com a liberdade que gostariam e nós vamos garantir que os navios que transportam ajuda alimentar não são pirateados”, disse.
A Vasco da Gama, que iniciou hoje viagem, assume durante quatro meses o comando da Operação Atalanta - European Union Naval Force Somália numa cerimónia agendada para 14 de Abril no Porto Comercial do Djibouti.
A capacidade militar da força, que não cumpre “propriamente uma missão de combate à pirataria”, procurará “providenciar o maior apoio possível a toda a navegação mercante e de pesca que opera em todo o oceano Índico”.
“Cumprirmos a missão que é assegurar que os navios que transportam ajuda alimentar à Somália que chegam em Mogadíscio em segurança e que o apoio logístico à missão da União Africana que se encontra a apoiar o governo de transição da Somália, que recebem o apoio logístico necessário que lhes garanta a sustentação no terreno”, referiu.
De resto, defendeu o comandante da força, o problema da pirataria – neste momento existem na região cerca de 25 navios apresados, com 533 reféns – “resolve-se, não no mar, mas em terra”.
O comandante do navio de guerra português, Pessoa Arroteia, admitiu que a missão em que brevemente a Vasco da Gama estará envolvida acarreta, como todas as outras, “as suas dificuldades e os seus riscos”.
“Várias situações podem ocorrer. A mais grave por assim dizer é quando embarcações de piratas tentam assaltar um navio mercante. Aí, quando o alerta é dado, a nossa primeira prioridade é descolar o helicóptero para evitar que eles consigam fazer a abordagem”, apontou.
Depois, prosseguiu, “o navio depois irá prosseguir à máxima velocidade disponível preparando a sua equipa de segurança na tentativa de abordar essa embarcação com os piratas e fazer os procedimentos que estão previstos de acordo com as regras de empenhamento da missão”.
A primeiro-tenente Ernestina Silva tem uma das tarefas mais complexas a bordo: aconselhar juridicamente o comandante da força em todas as situações em que os navios se virem envolvidos, em especial o combate à pirataria.
“Espero ter uma vida muito atarefada (…) Estamos a trabalhar com muitos estados-membros que participam na missão, cada um com o seu enquadramento jurídico. E, como tal, numa força multinacional a principal dificuldade é falarmos todos s mesma linguagem e entendermo-nos relativamente a situações como o uso da força”, desabafou.
A Vasco da Gama parte em missão com uma guarnição de 212 de militares e terá embarcado um helicóptero Lynx, que se juntou hoje à fragata ainda no rio Tejo.


