Cavaco Silva: "A actual situação financeira do país é muito grave"

29.10.2010 - 21:39 Por Sérgio B. Gomes, João Pedro Pereira
No final da reunião do Conselho de Estado, o Presidente da República, Cavaco Silva, apelou a um acordo entre o Governo e o PSD para a viabilização da proposta do OE 2011 que será votada na próxima semana.
"Esta situação resulta de um problema para o qual venho alertando há muito tempo e que agora está a vista de todos", começou por dizer o chefe de Estado que alertou depois para "o grave desequilíbrio das nossa contas externas" e o "nível muito elevado do endividamento do país, a que se juntou a crise financeira internacional". Situação que resultaria na "contracção da economia".
“Enquanto Presidente da República tenho obrigação de dizer que a actual situação financeira do país é muito grave e não se compadece com atitudes que levem a uma crise política”, afirmou Cavaco Silva.
Depois de uma reunião do Conselho de Estado que demorou mais de quatro horas, o Presidente lançou o alerta: "Se o Orçamento de Estado não for aprovado, ocorrerá uma drástica redução da concessão de crédito às empresas e às famílias".
Cavaco Silva revelou que tem "mantido um contacto permanente com o Governo e com dirigentes partidários" a propósito da situação económica do país e falou na necessidade de, "em nome do superior interesse nacional", haver uma negociação para viabilizar o Orçamento.
Na breve declaração, Cavaco Silva lembrou que o Presidente não pode actualmente dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições. "A crise política não poderia ser resolvida antes de se verificar uma deterioração económica", afirmou.
De acordo com o Presidente, os conselheiros pronunciaram-se "no sentido de o Governo e os partidos realizarem um esforço adicional para chegarem a um compromisso tão rapidademnte quanto possível e antes da próxima quarta-feira [último dia para a discussão e votação do OE 2011]."
"Um Governo que não dispõe de maioria no Parlamento deve fazer os compromissos necessários", disse Cavaco Silva.
"Espero que se chegue a um entendimento", afirmou o presidente no final da declaração.

