Bloco de Esquerda diz que "arrastão" foi "fuga de jovens de carga policial" 
24.06.2005 - 11:52 Por Nuno Sá Lourenço
O Bloco de Esquerda (BE) fez ontem a Assembleia da República regressar ao tema do "arrastão" da praia de Carcavelos para criticar a "manipulação, inexactidão no tratamento" noticioso do acontecimento.
Baseando-se no relatório do Comando da Polícia de Segurança Pública de Lisboa e no testemunho de um filho de um membro da Assembleia Municipal de Lisboa, que obrigavam a uma "análise à luz de novas informações", a deputada Ana Drago afirmou que "não houve "arrastão", houve talvez furtos, mas o que aconteceu foi uma fuga de jovens de uma carga policial indiscriminada".
Antes disso tinha já citado o relatório policial para sublinhar que o número de assaltantes era bem mais escasso: "De um grande grupo de 400 ou 500 pessoas só 30 ou 40 praticaram ilícitos. Muitos jovens que apareceram nas imagens televisivas e fotográficas a correr na praia naquele dia não eram assaltantes, mas tão-só jovens que fugiam com os seus próprios haveres."
A deputada responsabilizou os media por "ter dificuldade em acertar agulhas com o dito mundo real", acusando-os de recriar esse mesmo mundo. "A análise da fabricação do alarmismo é sempre importante. Muitos jornalistas, comentadores e cidadãos estão hoje a fazê-la", afirmou.
Os ataques não se limitaram à cobertura noticiosa do acontecimento. Ana Drago apontou ainda o dedo ao à "solução CDS", acusando aquele partido de ter relacionado criminalidade e imigração. "Correr os jovens dos guetos à bastonada para que fiquem quietos nos seus bairros e não desçam à cidade não resulta", sustentou.
A alternativa são "políticas de integração social e integração urbana ambiciosa" para combater o "Rio de Janeiro que vai crescendo em torno de Lisboa". Admitiu ainda que "deixar perdurar o sentimento de insegurança é insustentável", até porque quem o sofre são principalmente "os pobres e os remediados".
A reacção do líder parlamentar do CDS, Nuno Melo, foi a de acusar Ana Drago de mentiras. "Não houve um único momento em que tivesse ligado o crime à imigração", afirmou antes de rematar: "Continue a senhora deputada com os criminosos."
Ana Drago respondeu acusando o CDS de jogar com o "pânico social" e de se encontrar desfasado da realidade, chegando ao ponto de nem sequer ter o respeito dos agentes policiais. Usou como exemplo a manifestação de polícias dois dias antes onde os deputados do BE tinham sido aplaudidos e "o senhor deputado Nuno Magalhães [ex-secretário de Estado da Administração Interna] foi assobiado."

