Sector está em queda

Supermercados com encerramentos pela primeira vez numa década

Consumidores poderão assistir ao aumento de preços de alguns produtos

Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição diz que o retalho alimentar está a ter, pela primeira vez no segundo semestre, quebras de 1 a 2%.

O mercado do retalho alimentar está a cair entre 1 a 2% no segundo semestre, revelou esta manhã a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), citando dados da Nielsen.

No negócio não alimentar e em algumas categorias de consumo, as quebras chegam a ultrapassar os 10%. “Nunca me lembro de ver o mercado [alimentar] a decair”, disse Luís Reis, presidente da APED. Depois de um primeiro semestre de estagnação, os supermercados estão a ressentir-se da diminuição de rendimento disponível das famílias e dos indicadores de confiança que, em Portugal, se têm mantido em valores mínimos históricos.

“O sector alimentar é mais resistente, mas já está em contracção, o que significa que a crise é mesmo profunda”, disse Luís Reis. Além dos reflexos nas vendas, o sector também tem assistido a encerramentos, cenário que o presidente da APED não regista, pelo menos, nos últimos dez anos.

Este ano, em Maio, foi declarada a insolvência dos supermercados AC Santos, cadeia fundada há 39 anos, e detida pela família Adelino Cardoso dos Santos. A empresa chegou a ter 21 lojas na zona da Grande Lisboa. Em 2010, foi ainda notícia o encerramento da rede de supermercados Freitas, com 238 trabalhadores. Também a cadeia francesa E. Leclerc encerrou, pelo menos, duas lojas no Algarve o ano passado,

“Nunca como hoje foi tão importante olhar para o futuro”, defendeu Luís Rei, acrescentando que o que mais preocupa a APED é o “círculo de muro de lamentações”. “Está na altura de mudar o discurso e ver o que é preciso fazer para sair [da crise]”, afirmou.

A APED está a preparar o seu IV congresso, depois de um interregno de quatro anos. Em Janeiro, o Nobel da Economia Joseph Stiglitz e a “guru” das tendências globais Lidewij Edelkoort vêm a Portugal para discutir os desafios actuais.

“É tempo de falar positivo. Terminou o tempo do diagnóstico”, defende o presidente da APED. A associação fez um “investimento significativo” no congresso, que decorre entre 17 e 18 de Janeiro com o tema “Ganhar o Futuro”.

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