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Detenção já se prolonga há seis meses

WikiLeaks publica vídeo a dizer que Assange é tratado "como um animal enjaulado"

16.06.2011 - 16:59 Por Isabel Gorjão Santos

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Assange comparece todos os dias na esquadra da polícia em Norfolk Assange comparece todos os dias na esquadra da polícia em Norfolk (Valentin Flauraud/Reuters)
Jullian Assange completa hoje seis meses de prisão domiciliária, e para assinalar a data a WikiLeaks divulgou um comunicado e um vídeo a denunciar as condições em que está detido. “Estão a tratá-lo como a um animal enjaulado”, diz Sarah Harrison, uma das suas colaboradoras mais próximas.

Assange entra na esquadra da polícia em Norfolk, no Sul de Inglaterra, mostra a pulseira electrónica e assina uns papéis. No dia seguinte fá-lo outra vez. E depois outra. No vídeo agora divulgado é mostrada a rotina do fundador da WikiLeaks, os aparelhos electrónicos instalados na sua casa em Elligham Hall, as câmaras instaladas na rua.

Enquanto prossegue o processo de extradição para a Suécia, onde Assange é acusado por crimes de natureza sexual, o fundador da WikiLeaks está a ser vigiado através de diversos dispositivos electrónicos.

“Creio que está a ser submetido a um regime bastante invasivo”, diz Vaughan Smith, o anfitrião de Assange, um dos seus principais apoiantes e o proprietário da casa onde agora vive o fundador do “site” que, no final do ano passado, divulgou inúmeros documentos diplomáticos secretos.

“Tem essas pulseiras que não pode tirar, sabe que podem seguir-lhe a pista, que está numa espécie de cela electrónica”, conta Smith. “Há três caixas [com dispositivos electrónicos] na minha casa, creio que é para dizer se Julian está em casa ou não”.

Assange não fala durante o vídeo, que mostra apenas imagens suas a cumprir rotinas. São os seus colaboradores que falam por ele. Sarah Harrison mostra as câmaras no exterior e sublinha que podem gravar até as matrículas dos carros que ali passam. “Cremos que está a ser vigiado tudo o que entra e sai da propriedade”, diz. Também Vaughan Smith diz estar surpreendido com tanta vigilância. “O país está cheio destas câmaras, mas não sei por que é que são precisas tantas à volta da minha casa.”

O director do grupo defensor das liberdades civis Big Brother Watch, Daniel Hamilton, defendeu que as câmaras deveriam ser retiradas e, em declarações ao diário espanhol “ABC”, considerou que o facto de os movimentos de Assange e dos seus visitantes serem vigiados desta forma representa “uma invasão indigna da intimidade pessoal”.

Na Suécia Assange está a ser acusado por crimes de natureza sexual e uma decisão sobre o recurso que apresentou para evitar a extradição deverá ser conhecida a 12 de Julho, em Londres. No comunicado hoje divulgado pela WikiLeaks essa acusação volta a ser contestada porque “as partes envolvidas dizem ter tido relações sexuais consentidas”. A acusação defende, por outro lado, que Assange “não informou imediatamente a parceira de que não estava a usar preservativo”.

A WikiLeaks considera que a acusação na Suécia tem “motivações políticas”, e que a extradição para este país será uma forma de enviar depois Assange para os Estados Unidos. Aqui, a Administração de Obama tem procurado acusar Julian Assange pela divulgação de documentos diplomáticos confidenciais e um júri federal deverá agora ouvir testemunhas próximas de Bradley Manning, o ex-militar que está detido nos EUA acusado de ter possibilitado a divulgação dos documentos secretos pela WikiLeaks.

O inquérito judicial contra Assange já foi aberto nos EUA em Julho do ano passado, e uma das possibilidades da acusação é tentar provar que foi Assange quem pediu os documentos a Bradley Manning, que poderá vir a ser condenado a prisão perpétua.

Quem vem para almoçar?

Entretanto a WikiLeaks tem procurado novas formas de financiamento, e uma delas será aquela que acaba de colocar em leilão no “site” da e-Bay: oito lugares à mesa para almoçar com Julian Assange.

O almoço está marcado para 2 de Julho e o preço dos lugares já ronda as 2000 libras (cerca de 2270 euros). Com Assange estará o filósofo esloveno Slavoj Zizek, que se define como “um radical de esquerda”, e a refeição terá lugar “num dos melhores restaurantes de Londres”.

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