O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou hoje, em Estrasburgo, que o programa conjunto das presidências alemã, portuguesa e eslovena da União Europeia (UE) visa apresentar um rumo para a Europa e dar-lhe "uma voz mais audível" no contexto mundial.
O chefe do Governo português falava, no Parlamento Europeu, numa conferência de imprensa conjunta dos resposnáveis pela a UE nos próximos 18 meses — a chanceler alemã, Angela Merkel, José Sócrates e o primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa —, com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e com o recém-eleito presidente do PE, o alemão Hans-Gert Poettering.
"Este não é um programa para gerir a Europa, este é um programa que pretende dirigir a Europa e apresentar um rumo para a Europa", afirmou Sócrates na conferência de imprensa que se seguiu à apresentação do programa perante o hemiciclo de Estrasburgo.
Sócrates fala em programa "realista" mas "ambicioso"
O primeiro-ministro português afirmou que a Alemanha, Portugal e Eslovénia estão "bem conscientes da responsabilidade" que representa levarem a cabo o primeiro programa conjunto da UE para 18 meses e assegurou que se trata de um programa que se destina "a afirmar uma Europa mais forte", "à altura das suas responsabilidades", quer para com os europeus, quer para com o mundo.
José Sócrates defendeu várias vezes que se trata de um programa "realista" mas "ambicioso", pois se, por um lado, "reconhece e decide enfrentar os problemas da Europa, não os nega nem os disfarça", por outro, "também se compromete no encontrar de soluções".
De acordo com Sócrates, a ambição do programa está bem reflectido na "agenda da política externa da UE programada para os próximos 18 meses", e que visa uma "Europa mais forte, mais presente no Mundo, mais presente nas questões mundiais e com uma voz mais audível".
Tentar tirar o Tratado Constitucional do impasse em que se encontra
Dessa agenda externa, Sócrates destacou três aspectos que considerou marcantes nos próximos 18 meses, o primeiro dos quais — já referido por Angela Merkel na conferência de imprensa — a realização da cimeira UE/África, durante a presidência portuguesa.
Sócrates reafirmou que a cimeira "é da maior importância para relançar o diálogo da Europa com África" e para que seja possível discutir "alguns dos assuntos mais importantes para ambos os lados, nomeadamente migrações e desenvolvimento".
Ainda a nível da política externa, apontou a aposta num "diálogo específico com Brasil e México e, de certa forma, um aprofundamento do diálogo político entre UE e América Latina", e também as relações entre a UE e os países do flanco sul da Europa no Mediterrâneo, englobando o Médio Oriente.
O primeiro-ministro português afirmou que também a nível de política interna o programa das três presidências é ambicioso, já que "reconhece que o principal problema" e a grande ambição é "dar uma resposta ao problema constitucional". Felicitou a chanceler Merkel e a presidência alemã por terem tido "a coragem" de colocar este dossier como tema central para as próximas presidências.
"Tudo faremos para estar à altura desta responsabilidade", disse, referindo-se aos esforços para encontrar uma saída para o impasse em que se encontra mergulhado há quase dois anos o processo de ratificação do Tratado Constitucional.
Questionado durante a conferência de imprensa sobre a fórmula para solucionar o impasse, Sócrates afirmou, perante os acenos afirmativos de Angela Merkel, que não seria inteligente avançar já uma solução, pois é necessário construir um consenso entre os 27.
Por fim, apontou como outras prioridades a definição de uma política de migração da UE e o papel de liderança da Europa no campo das alterações climáticas.
Após a actual presidência alemã, em exercício, caberá a Portugal assumir a tarefa, a 1 de Julho e até ao final do ano, seguindo-se a Eslovénia no primeiro semestre de 2008.



