A construção recomeçou hoje nos colonatos da Cisjordânia, mal terminou a moratória que congelava esta actividade, que ameaça as negociações de paz entre Israel e os palestinianos.
O presidente da Autoridade Palestiniana (AP), Mahmoud Abbas, de visita a Paris, repetiu ontem que as negociações seriam "uma perda de tempo" se acaso Israel não mantivesse a moratória que existia para que o diálogo pudesse ter sido reatado.
Bulldozers foram hoje de manhã activados, nomeadamente, no colonato de Adam, no Norte da Cisjordânia, onde devem ser construídos três dezenas de fogos, segundo a rádio pública israelita.
As construções deverão ser reatadas, também, pelo menos em outros três colonatos, incluindo o de Kiriat Arba, junto à cidade de Hebron, no Sul do território, segundo o segundo canal da televisão israelita.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu resistiu às pressões intensas da comunidade internacional recusando reconduzir o congelamento das novas construções nos colonatos, mesmo com risco de comprometer o prosseguimento das negociações com os palestinianos.
"Bibi" pediu mesmo ontem à noite a Mahmoud Abbas que prossiga as negociações de paz depois do fim da moratória que estava em vigor quanto à construção de colonatos.
"Lanço um apelo ao presidente Abbas para que continue a efectuar conversações boas e honestas para tentar chegar a um acordo de paz histórico entre os nossos dois povos", afirmou Netanyahu, num comunicado publicado cerca da meia noite local (23 horas de ontem em Lisboa).
No quadro dos contactos diplomáticos "intensivos", Netanyahu esteve em contacto com elementos da Administração norte-americana, incluindo a secretária de Estado Hillary Clinton, e também com o Presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o rei Abdallah II da Jordânia, segundo aquele comunicado distribuído em Jerusalém.
A Liga Árabe vai reunir-se dia 4 de Outubro, a pedido da AP, a fim de debater o futuro das negociações.
Segundo os media israelitas, os contactos deverão prosseguir durante os próximos dias, a fim de se encontrar uma solução de compromisso para a continuação do necessário diálogo.
Israel rejeitou um pedido norte-americano de prolongar por dois meses a moratória, esclarece o diário de grande tiragem "Yediot Aharonot".



