A cerca de uma semana do Carnaval, o corpo de bombeiros e polícias civis e militares do estado do Rio de Janeiro decidiu entrar em greve a partir desta sexta-feira. O anúncio aconteceu ao final de uma manifestação que durou quase seis horas, na Cinelândia, no centro do Rio, com a participação de cerca de três mil pessoas.
O Rio de Janeiro recebe normalmente milhões de pessoas durante os festejos de Carnaval e esta paralisação - com a qual os agentes reivindicam melhores salários - poderá pôr em causa o curso normal dos festejos.
De acordo com a Globo, 30% do efectivo do corpo de bombeiros e da polícia civil do Rio ficará à disposição para casos de emergência, bem como 30% do efectivo de bombeiros. Tirando estes casos de emergência, os agentes e soldados da paz ficarão aquartelados sem responder a ocorrências.
A partir de hoje a segurança é da responsabilidade da Guarda Nacional e do Exército. Os grevistas fizeram saber que a paralisação é por tempo indeterminado.
O polícia militar Thiago Rodrigues dos Reis admitiu à AFP que poderá ocorrer uma onda de violência no Rio – como de resto sucedeu na Bahia, onde a greve da polícia suscitou uma onda de homicídios que, segundo jornais brasileiros, chegou aos 146 assassinatos. Por isso, deixou o alerta à população: “Estamos convosco! Pedimos apenas que não saiam à rua, que não mandem as vossas crianças para as escolas, e que as lojas permaneçam fechadas”, advertiu o agente.
Os polícias e bombeiros reclamam a libertação de um dirigente do movimento, o bombeiro Daciolo, detido por ter coordenado dois movimentos de contestação no Rio e na Bahia. O cabo Benevenuto Daciolo está preso administrativamente, em Bangu, devido aos crimes de incitamento à greve e aliciamento a motim.
Os agentes pedem ainda um mínimo salarial de 3500 reais (1530 euros) e 700 reais (306 euros) suplementares de benefícios.
Perante este cenário, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral – um aliado da Presidente Dilma Rousseff – denunciou “um movimento orquestrado a nível nacional para tentar criar um clima de insegurança” a poucos dias do Carnaval.
Este movimento grevista no Rio acontece nove dias depois de a polícia militar da Bahia ter provocado uma vaga de pilhagens e vandalismo, tendo até ao momento morrido pelo menos 146 pessoas.
O corpo em greve na Bahia pertence à Polícia Militar, a principal força de segurança urbana do Brasil. Cerca de dois terços dos efectivos deste estado entraram em greve a 31 de Janeiro, exigindo aumentos salariais de 50% (o Governo da Bahia oferece até 6,5%) e o regulamento das carreiras.



