Os governos do Ruanda e do Burundi estão a violar a Convenção Internacional de 1951 que protege os refugiados ao repatriar à força milhares de ruandeses que fugiram para o Burundi, país vizinho, denunciou hoje o Alto Comissariado da ONU para os refugiados.
Ron Redmond, porta-voz do Alto Comissariado, sublinhou que os funcionários deste órgão da ONU não tiveram acesso ao campo de Songore, no Norte do Burundi, que alberga cerca de sete mil ruandeses, antes da sua evacuação realizada ontem.
“A decisão de recusar o acesso ao campo numa altura em que se desenrolava o repatriamento impediu-nos de comunicar directamente com as pessoas que pediam asilo, a fim de verificar se o seu regresso estava baseado numa decisão voluntária de cada um”, explicou Redmond aos jornalistas.
“As circunstâncias deste repatriamento levam-nos a concluir que estas pessoas que pediam asilo não tiveram outra escolha se não regressar” ao seu país.
Cerca de oito mil ruandeses de etnia hutu (maioritária) fugiram para o Burundi nas últimas semanas, com receio de serem obrigados a comparecer perante os tribunais populares, encarregados de julgar os presumíveis autores do genocídio no Ruanda, em 1994.
Depois de, inicialmente, ter referido um regresso voluntário, as autoridades do Burundi anunciaram no fim-de-semana que os ruandeses que fugiram do seu país serão considerados “imigrantes ilegais”.


