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Operação contra reduto taliban

Ofensiva da NATO mata 12 civis afegãos

14.02.2010 - 19:49 Por Margarida Santos Lopes

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A operação, com 15 mil homens, é a maior de sempre A operação, com 15 mil homens, é a maior de sempre (Baris Atayman /Reuters)
Pelo menos 12 civis morreram hoje, no Afeganistão, depois de dois rockets que visavam insurrectos taliban em Marjah terem falhado o alvo “em 200 metros”, reconheceu a NATO.

Um comunicado acrescenta que o general norte-americano Stanley McChrystal, comandante da Isaf, já contactou o Presidente afegão, Hamid Karzai, para lamentar este “acidente infeliz”, no segundo dia da Operação Mushtark.

O comunicado surgiu minutos depois de Karzai ter lastimado a morte de dez civis de uma mesma família, vítimas da explosão de um rocket sobre a sua casa em Nad Ali. Trata-se de um distrito a leste de Marjah que soldados britânicos e afegãos tentam controlar, desde que começou, no sábado, a maior ofensiva aérea e terrestre da NATO desde 2001.

A operação envolve um total de 15 mil homens – 4400 dos quais afegãos –, a maior participação de sempre, de acordo com a estratégia definida por McChrystal, para evitar que só as tropas estrangeiras sejam objecto de fúria popular no caso de se registar um número elevado de baixas civis.

A Isaf especifica, no seu comunicado, citado pela AFP, que os rockets foram lançados “a partir de um HIMARS” (sigla inglesa de High Mobility Artillery Rocket System), ou sistema de artilharia móvel, montado sobre um camião. O objectivo era neutralizar os taliban que, a partir de um edifício, atacavam uma equipa conjunta da Aliança Atlântica e do exército afegão. Ficaram feridos um soldado afegão e outro da Isaf.

No sábado, um militar britânico e um americano morreram no decurso da ofensiva em Marjah e, hoje, um outro elemento da Isaf, cuja nacionalidade se desconhece, foi morto na explosão de uma bomba artesanal, também no Sul.

Antes de serem anunciadas as baixas civis, o general norte-americano Larry Nicholson, comandante do corpo de marines, descreveu como “boas” as primeiras 24 horas de combates apesar da progressão das tropas ser lenta devido a “numerosos ataques de snipers” e à necessidade de usar veículos de desminagem para fazer deflagrar os “inúmeros” engenhos explosivos artesanais.

Quanto tempo poderá demorar até retirar aos taliban o controlo de uma região que se tornou num centro de logística da insurreição e parte de uma rede de contrabando de ópio? “Provavelmente, vamos precisar de uns 30 dias”, disse Nicholson, citado pela Sky News. “Estou mais do que cautelosamente optimista de que, talvez, consigamos antes disso.”

“Uma boa decisão”

O chefe de Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, alertou que, embora a ofensiva tenha começado bem, “é muito difícil prever quando vai acabar”. Em declarações feitas durante uma visita a Israel, acrescentou: “Do ponto de vista de planeamento, estimámos que [a operação] iria durar algumas semanas, mas não tenho a certeza.”

Em Washington, James Jones, conselheiro nacional de Segurança Nacional do Presidente Barak Obama, mostrou-se satisfeito: “A ofensiva está a progredir bem.” E até o antigo vice-presidente Dick Cheney declarou à ABC: “Creio que ele tomou uma boa decisão ao enviar as tropas.”

Em Londres, o general britânico Gordon Messenger, fez também um balanço positivo, ao salientar que tudo “está a decorrer conforme os planos”, e que os tiros esporádicos “não impedem a missão de avançar”.

Do lado dos taliban, o comandante e mullah Abdul Rezaq Akhund denunciou uma “operação de propaganda”, mas não deu pormenores sobre a situação no terreno. De concreto, os taliban divulgaram apenas um vídeo onde se vêem dois jornalistas franceses raptados no Afeganistão pedirem ao Governo de Paris que acelere as negociações para a sua libertação.

Os dois repórteres foram sequestrados na província de Kapisa, em 30 de Dezembro último, quando faziam uma reportagem para a cadeia de televisão France 3. O motorista e tradutor afegão que os acompanhava já foi libertado.

A France 3 pediu que os jornalistas, aparentemente de boa saúde, não fossem identificados. O Ministério francês da Defesa condenou os raptos e pediu “discrição”, assegurando que “mobilizou esforços do Estado” para obter a liberdade dos cativos.

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14.02.2010 20:15