NATO reforça dispositivo no Kosovo durante as legislativas sérvias

17.01.2007 - 17:25 Por AFP, PUBLICO.PT
A NATO decidiu reforçar o seu dispositivo militar na província independentista no Kosovo, para evitar quaisquer distúrbios durante as eleições legislativas na Sérvia, previstas para o próximo domingo.
"O nível das nossas forças está já um pouco mais elevado do que anteriormente. Os reforços estão prontos para serem enviados mais rapidamente do que antes", afirmou James Appathurai, porta-voz da Aliança Atlântica.
Os 17 mil soldados Kfor — a missão de manutenção de paz da ONU no Kosovo — "estão informados sobre a situação. Não haverá surpresas", garantiu o responsável, numa alusão aos riscos de incidentes entre a maioria albanesa, que vai boicotar o escrutínio, e a minoria sérvia.
O risco de incidente é mais elevado devido à expectativa de que o enviado especial das Nações Unidas para o Kosovo, Martti Ahtisaari, anuncie após as eleições a sua recomendação para o futuro estatuto da região, formalmente uma província sérvia.
O Kosovo está sob administração da ONU desde a intervenção militar da NATO, desencadeada na Primavera de 1999 para pôr fim à repressão levada a cabo pelas forças federais sérvias contra os independentistas sérvios.
Quase 90 por cento da população do província é de etnia albanesa e apoia as pretensões independentistas do Governo autónomo — uma hipótese que a própria ONU parece cada vez mais inclinada a aceitar —, enquanto o Governo de Belgrado recusa qualquer solução que abra caminho à separação do Kosovo, que insiste em considerar "o berço da nação sérvia".
Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, disse que "é mais do que tempo" de Ahtisaari apresentar ao Conselho de Segurança da ONU as suas propostas para o Kosovo, face ao impasse nas negociações entre sérvios e albaneses.
O emissário deveria ter apresentado o seu relatório até ao final de 2006, mas decidiu adiar a divulgação do documento por receio de que o tema inquinasse as eleições na Sérvia. Contudo, Scheffer diz que "novos adiamentos arriscam-se a fazer subir a tensão na zona".


