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Minuto a minuto: revolução e violência nas ruas do Cairo

02.02.2011 - 13:39 Por Maria João Guimarães, Sofia Lorena, Dulce Furtado, Pedro Crisóstomo, Paulo Moura (Cairo)

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 (Goran Tomasevic/Reuters)
Um dia depois de Mubarak anunciar que só vai deixar o poder em Setembro, os protestos reacenderam-se no Egipto. O olho do furacão é a praça Tahrir, no centro do Cairo, onde há notícias de violentos confrontos. A pressão, das ruas e da comunidade internacional, contra o Presidente do Egipto é total. O PÚBLICO segue a revolução minuto a minuto

22h46: A violência de hoje terá provocado 1500 feridos, disse um médico numa clínica improvisada na rua à agência Reuters. Antes, fonte oficial egípcia afirmava à AFP que três pessoas tinham morrido e 639 ficado feridas.

22h19: Quando já passa da meia noite no Cairo, há veículos em chamas nas proximidades da praça Tahrir (da Libertação). Os manifestantes anti e pró-Hosni Mubarak continuam nas ruas e está a formar-se uma espécie de barreira de protecção entre a zona para onde são lançados cocktails molotov e o espaço onde circula a população, mostra a Al-Jazira na versão inglesa.

21h27: A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu ao vice-Presidente egípcio, Omar Suleiman, um inquérito à violência. Clinton falou ao telefone com Suleiman, disse o porta-voz do Departamento de Estado, PJ Crowley.

21h25: Os confrontos continuam no centro do Cairo, com particular intensidade nas proximidades do Museu do Egipto. cocktails molotov estão a ser lançadas ao ar e, de quando a quando, ouvem-se tiros no ar, mostra a emissão em língua inglês da Al-Jazira a partir da capital egípcia. John Simpson, jornalista da BBC, suspeita de que o Exército está a tentar dissuadir as pessoas de se aproximarem dos seus tanques.

20h20: O ministro egípcio da Saúde, Ahmed Hosni, revê em alta o número de feridos nos confrontos de hoje, para 611, segundo a agência oficial Mena.

20h05: O regime quer negociar com a oposição, mas só o fará sem protestos nas ruas, garante o novo vice-presidente do Egipto, Omar Suleiman, apelando aos manifestantes para irem para casa.

19h50: Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio desmente que as manifestações de apoio ao Presidente Mubarak tenham sido organizadas. Os homens a cavalo e a camelo que entraram durante a tarde da Praça Tahrir são trabalhadores das Pirâmides cujo negócio foi prejudicado pela contestação popular, assegura.

19h21: “Bombas caseiras” estão a ser largadas na Praça Tahrir a partir de edifícios próximos, descreve a Al-Jazira. Dezenas de milhares de manifestantes anti-Mubarak ainda estão na baixa do Cairo e muitos têm medo de deixar a zona para se dirigir a casa. Finalmente, chegaram ambulâncias à Tahrir para assistir as centenas de feridos.

19h19: Um conselheiro próximo de Hosni Mubarak disse à BBC que o Presidente não vai ceder às exigências para se demitir imediatamente. Estas declarações foram feitas ao jornalista Rupert Wingfield-Hayes que se deslocou ao súburbio rico de Heliopolis para o encontrar – e que depois foi temporariamente detido pela polícia secreta do Egipto.

19h07: A comissão egípcia dos Direitos Humanos, presidida pelo ex-secretário-geral da ONU Boutros Boutros Ghali, está reunida e já fez saber que quer uma investigação sobre as mortes de manifestantes anti-governamentais.

18h59: A situação deverá acalmar no Cairo, mas só até sexta-feira, o “dia da partida” em que se esperam novos protestos da oposição, disse o jornalista Osama Diab, colunista no site do “Guardian”, ao PÚBLICO. O envio de forças à civil “mostra como Mubarak está perdido”, diz. “Quanto mais tempo ele fica, mais os manifestantes exigem: primeiro era apenas que ele saísse, agora é que seja julgado.”

18h42: O Irão acusa os Estados Unidos de estarem a travar a vitória da revolta popular no Egipto. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Ramin Mehmanparast, diz citado pela AFP, que a táctica de Washington vai reavivar o ódio do mundo muçulmano contra os EUA.

18h42: A televisão estatal egípcia está a difundir um aviso para que todas as pessoas abandonem a praça Tahrir.

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