Liga Árabe pede à ONU o envio de uma força de manutenção de paz para a Síria

12.02.2012 - 17:24 Por Ana Gomes Ferreira
A Liga Árabe pôs fim à sua missão de observadores na Síria e anunciou este domingo que vai pedir às Nações Unidas o envio, para aquele país, de uma força de manutenção de paz conjunta.
Um dos pontos importantes da cimeira que juntou no Cairo (Egipto), os ministros dos Negócios Estrangeiros deste grupo regional — excepto da Síria, país que se encontra suspenso da organização —, não se concretizou: o reconhecimento oficial do Conselho Nacional Sírio (um dos principais grupos de oposição a Assad), por ser considerado “permaturo”. Antes disso poder acontecer, a oposição deve “unir-se” debaixo de uma mesma cúpula, consideraram os ministros que expressaram essa posição no comunicado final.
O documento faz, porém, uma declaração importante: apela à “abertura de um canal de comunicação com a oposição síria e a concessão de todas as formas de apoio político e material”.
No início da reunião, o chefe da missão de observadores, o general sudanês Mohammed al-Dabi, apresentou a demissão. “Não voltarei a trabalhar num plano da Liga Árabe”, disse o general, que foi uma escolha polémica devido ao seu envolvimento nos massacres em Darfur. “Desempenhei a minha função com integridade e transparência, mas não voltarei a trabalhar aqui porque a situação está distorcida”, disse Al-Dabi à Reuters.
Num primeiro momento, fontes da Liga disseram à Associated Press que Al-Dabi poderia ser substituido. A organização acabaria simplesmente por pôr fim à missão, que entrou na Síria no final de Dezembro de 2011 para verificar a aplicação de um plano de paz (fim dos ataques por parte das forças governamentais e início de negociações com a oposição) que nunca foi aplicado. Em Janeiro, a missão foi suspensa.
Os sírios iniciaram há 11 meses uma revolta contra o Presidente Bashar al-Assad. Inicialmente pacífica, a revolta foi esmagada pelas tropas de Assad e tornou-se violenta. No conflito, que alguns media já classificam de guerra civil, já morreram 5400 pessoas.
Uma resolução árabe e europeia, propondo o afastamento de Assad, foi rejeitada no Conselho de Segurança da ONU pela Rússia e a China, que têm direito de veto neste organismo. Uma nova resolução apresentada pela Arábia Saudita deverá ser votada na Assembleia Geral da ONU, onde não há direito de veto mas cujas votações não têm carácter vinculativo.


