Muammar Khadafi foi hoje morto na sua cidade natal, Sirte. “Era um momento que esperávamos há muito tempo”, disse o primeiro-ministro do governo de transição líbio, Mahmud Jibril. O Presidente norte-americano Barack Obama falou do fim “de um capítulo longo e doloroso”.
A morte do homem que governou a Líbia durante 42 anos foi anunciada por comandantes militares do governo de transição da Líbia, que acrescentaram que Khadafi foi ferido em ambas as pernas e na cabeça. Mas ao final do dia as circunstâncias da morte não eram ainda claras.
O antigo líder líbio terá ficado ferido após um ataque da NATO e a tomada de Sirte pelas forças do Conselho Nacional de Transição (CNT) que derrubaram o seu regime. Responsáveis do próprio CNT adiantaram que Khadafi foi encontrado escondido num buraco e alvejado quando tentava fugir, chegou a ser divulgado um vídeo que mostra o coronel a ser capturado vivo.
Mais tarde foi anunciada também a morte de um dos filhos de Khadafi, Moutassim Khadafi, que estaria com o pai, e surgiram informações não confirmadas, divulgadas pela estação de televisão Al Arabiya, sobre a morte de outro filho do antigo líder líbio e o seu braço direito, Saif al-Islam Khadafi, que também terá tentado fugir de Sirte numa coluna motorizada. Pouco antes, o ministro da Justiça do governo de transição líbio, Mohammad al-Alagi, dissera à Associated Press que Saif al-Islam tinha sido capturado e levado para um hospital com ferimentos numa perna.
Segundo a Al-Jazira, o corpo de Muammar Khadafi foi levado para uma mesquita de Misurata, mas a estação Al-Arabyia noticiou que o cadáver foi transportado para uma zona comercial daquela cidade, que já se encontra há vários meses sob o controlo das forças revoltosas no país. Apesar de haver informações contraditórias sobre as circunstâncias da morte e o local para onde foi levado o corpo de Khadafi, os vídeos divulgados por vários órgãos de informações internacionais dissiparam as dúvidas sobre o facto de o coronel estar morto. A Al-Arabyia adiantou que o novo regime líbio planeia sepultar Khadafi num local secreto.
A captura de Khadafi levou o primeiro-ministro do governo de transição, Mahmud Jibril, a garantir que anunciará em breve, o mais tardar nesta sexta-feira, “a libertação do país”. E adiantou: “Este era o momento que esperávamos há muito tempo. (...) Penso que é altura de começar uma nova Líbia, uma Líbia unida, um povo, um futuro.”
Em várias cidades Líbias a notícia da morte de Khadafi foi recebida com festejos. Há um mês que as forças do CNT combatiam os grupos leais a Khadafi em Sirte, a cerca de 373 quilómetros de Trípoli. O que aconteceu na cidade contou com um forte envolvimento das forças da NATO presentes no país e hoje o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen regozijou-se com o sucesso da operação. “Após 42 anos, o reino do medo do coronel Khadafi chegou finalmente ao fim”, disse, deixando aos líbios o convite para “decidirem realmente sobre o seu futuro”.
Em comunicado, a NATO adiantou que o fim da sua operação na Líbia “está agora muito mais próximo”, mas que para já é necessário que o CNT “evite qualquer represália contra os civis e dê mostras de contenção em relação às forças vencidas pró-Khadafi”.
"Um momento histórico"
A morte de Khadafi foi confirmada ao final da manhã pelo porta-voz do Conselho Nacional de Transição líbio (CNT), Abdel Hafez Ghoga, numa conferência de imprensa em Bengasi, sede do poder. “Anunciamos ao mundo inteiro que Khadafi foi morto às mãos das forças revolucionárias”, declarou. “É um momento histórico, é o fim da tirania e da ditadura. Khadafi encontrou o seu destino”, regozijou-se.



