A televisão iraniana mostrou hoje imagens dos militares britânicos capturados sexta-feira passada no Golfo Pérsico. O vídeo inclui uma entrevista com a única mulher do grupo, que Teerão promete libertar em breve.
Faye Turney – que surge nas imagens com a cabeça coberta por um lenço e a fumar – garante que os militares estão a ser “bem tratados” pelos iranianos.
O vídeo, que dura menos de um minuto, incluiu imagens da captura dos militares, outras com o grupo a comer e ainda um grande plano de uma carta que Turney escreveu à família.
Na missiva, que a embaixada britânica em Teerão já confirmou ter recebido, a britânica escreve: “Estávamos num barco quando fomos presos pelas forças iranianas depois de termos aparentemente entrado em águas iranianas”. “Lamento que o tenhamos feito porque não estaríamos aqui se não fosse isto”, afirma Turney.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico já reagiu à divulgação das imagens, considerando que é “completamente inaceitável" a transmissão feita pela televisão iraniana de língua árabe Al-Alam.
Um porta-voz da diplomacia iraniana reafirmou que o Governo britânico “não tem qualquer dúvida” que os militares – marinheiros e fuzileiros – foram capturados em águas territoriais iranianas.
Disputas territoriais
Londres garante que os militares, pertencentes à tripulação "HMS Cornwall", estavam numa missão de patrulhamento em águas territoriais iraquianas, autorizada pela ONU, considerando "completamente sem fundamento" a acusação de instrusão em águas iranianas.
O incidente ocorreu no extremo norte do Golfo Pérsico, uma zona por onde passa grande parte da produção petrolífera da região e que, por isso, tem grande interesse estratégico para Irão e Iraque. Já em 2004, seis militares britânicos foram detidos no canal Shatt al-Arab, uma estreita faixa de mar disputada entre os dois países.
Esta manhã, o Ministério da Defesa britânico divulgou dados recolhidos por satélite, segundo os quais os militares britânicos foram capturados a 1,7 milhas náuticas (3,15 quilómetros) da fronteira marítima com o Irão. Segundo um mapa apresentado aos jornalistas, o navio mercante que os militares foram inspeccionar estava posicionado "29 graus e 50,36 minutos Norte/48 graus e 43,08 minutos Leste", bem no interior das águas territoriais iraquianas.
Segundo o almirante Charles Style, chefe adjunto do Estado-Maior da Armada britânica, na primeira explicação que as autoridades iranianas deram a Londres disseram que o navio patrulha que capturou os militares estava numa posição correspondente a águas iraquianas e só mais tarde, detectado o erro, corrigiram a suposta localização.
No entanto, a agência iraniana Irna noticiou hoje que "os primeiros resultados das investigações mostram que os militares foram detidos em águas iranianas", acrescentando mesmo que "alguns britânicos já confirmaram [esta informação] e pediram desculpa".



