O retrato pintado pelos diplomatas norte-americanos de alguns dos principais líderes mundiais nas comunicações reveladas pelo Wikileaks é muito pouco diplomático. A relação entre o Presidente russo Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin, por exemplo, era descrita como Medvedev sendo o Robin e Putin o Batman.
Kim Jong-il, o líder da fechada e ditatorial Coreia do Norte, não escapa a este tratamento algo jocoso, segundo as descrições feitas pelo jornal britânico “The Guardian: diplomatas norte-americanos citam fontes que o descreviam com “um tipo flácido” ou como alguém que “com traumas físicos e psicológicos”, em resultado da trombose que sofreu recentemente.
Da embaixada norte-americana em Paris vinham comunicações que descreviam o “estilo pessoal autoritário e muito sensível” do Presidente francês Nicholas Sarkozy, num relatório em que era notada a sua tendência para criticar a acção do primeiro-ministro François Fillon e dos membros do seu próprio gabinete.
Sílvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano, é descrito como “irresponsável, vaidoso e ineficaz como um líder europeu moderno” por Elizabeth Dibble, a encarregada de negócios dos EUA em Roma. Outro relatório proveniente da embaixada norte-americana em Itália fala de Berlusconi como um líder “física e politicamente fraco”, cujas “noitadas frequentes e gosto pelas festas fazem com que não descanse o suficiente.”
Hamid Karzai, o Presidente afegão, é tido como “um homem muito fraco que não liga aos factos, é facilmente influenciado por quem lhe vier comunicar as histórias mais bizarras que falem de conspirações contra ele.”
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, é classificado como um homem “elegante e encantador”, mas que nunca mantém as promessas, de acordo com um telegrama vindo do Cairo, em que se acrescenta: “Disse-lho pessoalmente.”



