Moura Guedes acusa Direcção de Informação da TVI de "fazer gestão política" das notícias

03.03.2010 - 15:33 Por Maria Lopes
A jornalista Manuela Moura Guedes disse esta tarde que a actual Direcção de Informação está a fazer uma “gestão política das notícias”, ao “divulgar as notícias de forma mais espaçada”.
A pivot referia-se às declarações de Júlio Magalhães, que há umas semanas, numa entrevista, disse que “a informação do Freeport actualmente é espaçada. Decidimos divulgar as notícias de forma mais espaçada.” Classificando esta atitude como “gestão política das notícias”, Manuela Moura Guedes afirmou que no seu tempo tal “não acontecia”, realçando que “há documentos do Freeport que estão lá desde Setembro, há documentos que implicam o primeiro-ministro e que não são postos na antena”.
Os documentos, especificou, “dizem respeito a queixas, a pagamentos, a depósitos feitos na empresa Smith & Pedro”. Mas “para a Direcção de Informação da TVI esses documentos não interessam”, acusou, contando que “os jornalistas que estão a fazer investigação foram ter com a DI e eles desvalorizam esses documentos”.
“As peças de investigação desapareceram”, reforçou a pivot, contando que a equipa de jornalistas do Jornal Nacional de Sexta foi desmembrada e distribuída por diversas secções da redacção.
A pivot disse que “toda a informação” que o Jornal de Sexta colocou no ar era justificada com documentos e que nenhuma dessa informação “alguma vez foi desmentida ou posta em causa judicialmente”.
“Todos os que contestaram o Jornal de Sexta nunca colocaram nenhum processo nem nunca contestaram o seu conteúdo. E há formas de o fazer: o direito de resposta, o meio judicial.”
Confrontada com o seu estilo de apresentação tão contestado, Moura Guedes afirmou que nunca comentou as notícias, apenas se “envolve no jornal e ao sair de uma peça, faço um remate, não sou autómato”. E aproveitou para deixar uma dúvida: “O novo programa de Miguel Sousa Tavares [na SIC] tem peças que são notícias, é um programa informativo, faz entrevistas, é um jornalista. As peças têm 1m47s e ele faz comentários de 2m23s. Eu fazia remates às peças, o Miguel Sousa Tavares leva para o programa comentários pessoais, de um cronista, que ele já fez nas suas peças no Expresso. Gostaria de saber se terá o mesmo tipo de comentários e críticas que eu tive.”
“Podem-se fazer comentários aos assuntos mais variados, mas ao poder, Deus do Céu!...”, ironizou a pivot.
Notícia corrigida às 18h40

