Arquivada queixa de alegadas pressões políticas e económicas ao semanário Sol

29.04.2010 - 15:39 Por Romana Borja-Santos
O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu arquivar o processo relativo “às pressões políticas e económico-financeiras denunciadas pelo director do jornal Sol”, por considerar que não foi possível provar os alegados factos invocados.
Em causa estavam as denúncias públicas feitas por José António Saraiva sobre as alegadas tentativas de “chantagem” sobre a sua direcção editorial e de “estrangulamento” económico-financeiro com o objectivo de “condicionar e, no limite, extinguir o jornal”.
“Considera o Conselho Regulador da ERC que, ponderados os depoimentos prestados perante a ERC e tudo o que foi possível apurar-se na documentação junta ao processo, não ficaram provadas as pressões políticas e económico-financeiras denunciadas pelo director do jornal Sol”, lê-se no comunicado feito pela ERC a propósito da decisão.
A entidade explica ainda que, de acordo com os elementos constantes do processo, “nada (…) permite confirmar a identidade do autor de um telefonema recebido por Mário Ramires, subdirector do jornal Sol, que teria ocorrido em 15 de Janeiro de 2009, alegadamente de ‘alguém muito próximo do primeiro-ministro’, bem como o seu teor e finalidade, até porque aquele responsável editorial não o quis revelar, não se provando, assim, a alegada chantagem sobre o jornal Sol”.
E acrescenta que também não foi possível confirmar “o teor e a finalidade de um contacto telefónico de Eduardo Fortunato de Almeida para José António Saraiva, director do Sol, que ocorreu em Janeiro de 2009, designadamente, quanto ao facto de o primeiro ter dito que ‘um alto dirigente do PS’ tinha afirmado que o futuro do Sol dependia da capa da próxima edição”.
Além disso, no comunicado lê-se que para a ERC “não ficou provado que a mudança na Administração do Grupo BCP, ocorrida em Fevereiro de 2008, tivesse alterado a conduta e a estratégia da BCP Capital enquanto accionista da sociedade proprietária do jornal Sol”.
A ERC anunciou no final de Novembro que iria abrir um processo para averiguar as alegadas ingerências do Governo em alguns órgãos de comunicação social. O Sol era um deles e tinha sido o seu próprio director a denunciá-las em declarações à revista Sábado.

