Professores e Governo voltam hoje à mesa das negociações

19.10.2006 - 08:56 Por Catarina Gomes, Sofia Rodrigues, , (PÚBLICO)
Depois de dois dias de greve nacional, professores e Governo vão sentar-se hoje à mesa para discutir as propostas de revisão do Estatuto da Carreira Docente que são o pomo da discórdia. O Ministério da Educação deverá apresentar novas propostas.
Ficará hoje a saber-se se o Governo cede em algumas das medidas mais polémicas incluídas no documento e que desencadearam a paralisação. É o caso da divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular), da imposição de quotas para aceder à categoria mais elevada e da criação de um modelo de avaliação que inclui critérios como o da apreciação dos pais e as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos.
"Caso o ministério não recue nas suas propostas, naquilo que é essencial e em relação ao qual a Plataforma Sindical já apresentou propostas, o movimento sindical docente aprovará novas formas de luta", lê-se em comunicado da Federação Nacional de Professores divulgado ontem.
As grandes divergências quanto aos números da adesão à greve de ontem mantiveram-se. Os valores reais estarão algures entre os 80 por cento apresentados ontem pelos sindicatos e os 31 por cento de docentes em falta nas escolas divulgados ontem pelo Governo.
Segundos os sindicatos, os dois dias de paralisação atingiram o mesmo grau, alto, de adesão: entre 80 e 85 por cento. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof), diz contudo que ontem se sentiu uma subida de adesão no ensino secundário e descidas no primeiro ciclo.
O protesto foi convocado por uma plataforma sindical que reúne 14 organizações sindicais de docentes. Paulo Sucena, secretário-geral da Fenprof, explica que muitos docentes em início de carreira e contratados, com menores recursos económicos, terão optado por apenas um dia de greve; os docentes com carreiras estabilizadas tiveram "condições financeiras para fazer greve dois dias seguidos".
"Quem mente descaradamente?"
Já os números do ministério assinalam uma quebra do primeiro para o segundo dia. Na terça-feira terão sido 39 por cento os docentes que faltaram às aulas em protesto - nas estimativas de anteontem eram 31 por cento - e 27 por cento a percentagem de escolas que fecharam, em contraste com os 21 por cento do balanço oficial de anteontem.
Explicações para a discrepância? "Quem mente descaradamente?", questiona o comunicado da Federação Nacional de Professores. Segundo esta organização, o Governo terá contabilizado as faltas de todos os docentes que existem nas escolas e não os que tinham serviço distribuído para o dia da paralisação.
O presidente da Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei), Carlos Chagas, acusou ontem o Ministério da Educação de "instaurar um clima de terror" ao enviar inspectores para as escolas nos dias da greve. "Temos conhecimento de pelo menos três escolas que foram alvo de inspecções sobre o seu funcionamento": na terça-feira, a Escola Secundária da Portela de Sacavém, em Loures; ontem, foi a vez das escolas Rainha Dona Leonor e Paços Manuel (em Lisboa), disse Chagas à agência Lusa.
Para o responsável, esta acção pretendeu "intimidar os professores". Até ao fecho da edição, o Ministério da Educação não reagiu à acusação.

