O social-democrata e antigo ministro das Finanças Eduardo Catroga condena a cedência do PSD ao PS na elaboração do Orçamento do Estado para 2012 e discorda das críticas do Presidente da República à falta de equidade fiscal, assegurando que muitos dos cortes feitos agora aos funcionários públicos e pensionistas já aconteceram antes no sector privado.
Em entrevista ao programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença, o antigo ministro de Cavaco Silva defende que o sector privado já aplicou a correcção que o Estado está agora a fazer. “Eu estou no sector privado e verifico que, em muitas empresas, já houve despedimentos, eliminação de pagamentos de horas extraordinárias, eliminação de rendimentos variáveis e, em alguns casos, até houve redução de remunerações”, argumenta Eduardo Catroga.
Por isso, o economista insiste que “a equidade não pode ser medida apenas em termos fiscais”, aludindo assim à posição do Presidente da República. Sobre o facto de ter ajudado a elaborar o programa do actual Governo, garante que na altura não contava com o desvio de 2,5 mil milhões de euros” e que estava convencido de que “bastava congelar salários e pensões”.
Já sobre a redução do défice para 4,5% do PIB , reconhece que todos os cenários são de equacionar para cumprir a meta, mas diz esperar que o Governo não insista no aumento de impostos, justificando que a carga fiscal já está no limite.
No que diz respeito ao Orçamento do Estado de 2012, criticou o recuo do PSD, após a insistência do PS, para se reduzir os funcionários públicos e pensionistas afectados pelos cortes nos subsídios de férias e de Natal do próximo ano. “Esta última medida, como moeda de troca ao Partido Socialista para justificar a sua abstenção, de penalizar a tributação da poupança é uma medida que deveria ter sido evitada, porque nós precisamos de incentivar a poupança e tornar o país mais atractivo ao investimento”, argumenta na entrevista à mesma rádio.
Depois, Catroga diz que o crédito e os juros elevados são um problema para a retoma económica do país, ao contrário do que a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) defende. E justifica: “Normalmente as estatísticas andam com atraso em relação à realidade. Os riscos que neste momento corremos na economia portuguesa é a asfixia do financiamento das empresas que exportam ou que evitam importações”.


