O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou neste sábado que vai escrever na próxima semana uma carta à chanceler alemã Angela Merkel para a convidar a visitar a região.
Ao criticar a aplicação dos fundos comunitários no arquipélago da Madeira, a chanceler “enganou-se e confundiu a Madeira com uma região industrial do centro da França”, disse Alberto João Jardim aos jornalistas no Aeroporto da Madeira, no regresso à região depois de várias reuniões em Bruxelas.
“Esta semana vou enviar uma carta à senhora convidando-a a visitar a Madeira para que então possa falar com conhecimento de causa, porque fica mal falar-se quando não se tem conhecimento de causa.”
Segundo o governante, as declarações de Angela Merkel são “um absurdo” que “espantou toda a gente na União Europeia” e argumentou: “como uma região que passa de um 40% do PIB per capita da UE para 106%, que é elogiada pelo aproveitamento que fez dos fundos comunitários em todos os relatórios, e de um momento para outro aquela senhora porque lhe bichanaram alguma coisa ao ouvido diz disparates”. “Todos temos momentos infelizes”, rematou Jardim.
O líder madeirense realçou ainda que a “Madeira é um território autónomo”, acrescentando que está “hoje até muito separado politicamente do Continente” e apontou que “a chanceler alemã disse os disparates que disse e ficaram caladinhos, mas no dia seguinte levaram uma sova de um outro alemão e foi um ‘aqui del-rei’”.
Jardim disse que a região da Madeira vive hoje praticamente separada do continente. “O programa que se aplica à Madeira não é o mesmo que se aplica a Portugal no caso do resgate financeiro, de maneira que estamos hoje cada um para o seu lado”, sublinhou. Quando questionado se será necessário Portugal renegociar o programa de ajustamento financeiro, Jardim afirmou que sempre considerou que os 78 mil milhões solicitados “não eram suficientes” face ao valor da dívida portuguesa que em Outubro/Novembro estava avaliada em 348 mil milhões. “Não sei se dará, mas tenho é que me preocupar com a Madeira, vivemos muito separados uns dos outros, penso que vai ser uma experiência muito interessante para o futuro dos madeirenses”, apontou.
Para o líder insular, nesta matéria “o erro foi do Governo socialista porque para uma dívida daquele tamanho foi muito pouco o volume do resgate solicitado e entre terem que ser exigidos sacrifícios fortíssimos aos portugueses e renegociar no sentido do esforço ser atenuado”, preferia a segunda opção.


