O Cinema Batalha vai hoje abrir as portas, já depois de remodelado, com um espectáculo da cantora brasileira Ive Mendes, mas ainda não é desta vez que o edifício ficará disponível na totalidade. A recuperação dos espaços já está praticamente concluída, mas falta ainda receber o mobiliário e dar os últimos retoques na programação pretendida para as diferentes salas.
Laura Rodrigues, directora do Gabinete do Comércio Vivo (entidade concessionária do equipamento), não quer arriscar uma data para a abertura total do Batalha, mas vai dizendo que gostaria de o ver pronto no prazo de um mês e de poder então realizar uma gala oficial de inauguração.
"As obras são uma caixinha de surpresas", comentou ao PÚBLICO a responsável, à guisa de justificação para o deslizamento de uma empreitada cujo arranque foi anunciado em finais de Setembro e que se pensava pudesse vir a terminar em Janeiro. O que é facto é que, ao longo das tarefas de exploração das paredes e recintos do edifício, foram acontecendo vários avanços e recuos conforme o material que ia sendo encontrado, com destaque para um conjunto de frescos de Júlio Pomar que estavam praticamente escondidos e que chegaram a obrigar à interrupção dos trabalhos.
Seja como for, a sala principal (onde foram colocadas mil cadeiras novas e atrás da qual foram construídos camarins), com saída para o piso térreo, e a Sala Bebé, situada no piso subterrâneo, já estão prontas, faltando apenas dar uma versão definitiva à respectiva programação. De acordo com o protocolo assinado em Setembro, o auditório maior foi entregue à empresa Música no Coração, que pretende vocacionar a sala para espectáculos de música e teatro: o concerto de Ive Mendes será o primeiro evento neste espaço, não tendo sido possível apurar, mal-grado as tentativas do PÚBLICO junto da empresa, quais os concertos previstos para a fase de arranque do Batalha.
Segundo informou Laura Rodrigues, em cada mês haverá quatro dias em que a sala será gerida directamente pelo Comércio Vivo, podendo ser promovidos eventos como passagens de modelos ou concertos de jovens bandas. Quanto à Sala Bebé, estará destinada a acolher as sessões regulares do Cineclube do Porto, ciclos temáticos ou de autor e debates sobre assuntos culturais. Será também aí que decorrerão os workshops de iniciação das crianças às artes, arrancando tais iniciativas já amanhã com reciclagens de materiais e no domingo com uma sessão para a descoberta do som.
No foyer, ficará já aberto um espaço de bar-convívio, e, no átrio, poderá ser apreciada a chamada Loja do Cinema, onde os aficionados da sétima arte poderão encontrar fotografias, cartazes e DVD. Para mais tarde ficará a estreia dos pisos um e dois e ainda do terraço, estando prevista a abertura de um restaurante no piso cimeiro.


