Portugal perde festival Trojan Horse para Malta

Evento de entretenimento digital nasceu em Tróia em 2013, e reunia centenas de profissionais de topo de todo o mundo, mas em 2018 realizar-se-á já na ilha mediterrânica.

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O festival de artes digitais e efeitos visuais Trojan Horse Was a Unicorn, fundado em Portugal, vai mudar-se para Malta. O anúncio da organização, esta quinta-feira, confirma o destino já avançado em Setembro pelo fundador André Lourenço e várias ameaças de saída de Portugal, onde desde 2013 e durante uma semana por ano reunia em Tróia alguns dos maiores nomes de Hollywood ou da indústria de jogos.

Já em 2015, e argumentando com a falta de apoios locais e nacionais que permitissem ao evento com forte componente de financiamento próprio e privado manter-se em Tróia, a organização parecia determinada a sair do país. Mas a mudança de Governo e a entrada em cena da Câmara de Setúbal permitiu a permanência em 2016 e 2017, com orçamentos a ultrapassar um milhão de euros e contribuições públicas de cerca de 120 mil euros. Em Setembro, porém, André Lourenço voltava a dizer ao PÚBLICO que “o THU tem necessidades que a estrutura não está a acompanhar” e que apesar da gratidão pelo apoio demonstrado desde 2015, Malta seria possivelmente o seu futuro.

Esta quinta-feira, em comunicado, a organização do THU, que tem como embaixador o produtor norte-americano Scott Ross, confirmou que “Malta será a nova casa do festival”, mais precisamente a sua capital, La Valletta, e realizar-se-á na mesma altura em que normalmente reúne centenas de profissionais do entretenimento digital – de 24 a 29 de Setembro. Os bilhetes, que têm esgotado em pouco tempo e que custam cerca de 400/500 euros, estarão à venda a 15 de Março. Do cartaz deste ano para masterclasses, palestras e workshops constam para já o artista Shannon Tindle, vencedor de um Emmy e que trabalhou nos filmes Coraline e Kubo and the Two Strings, e Joe Madureira, criador da série de BD Battle Chasers. Nos últimos anos, o THU era também acompanhado de uma feira de emprego.

Trouxe a Portugal artistas do cinema, da TV e dos jogos, entre designers de jogos como Cephas Howard, da Lego, Syd Mead, concept designer de Blade Runner – Perigo Iminente, Paul Briggs, coordenador de Frozen – O Reino do Gelo ou Big Hero 6, e ilustradores e artistas como Iain McCaig (Star Wars, O Livro da Selva), Rob Bliss (Harry Potter, Batman), Brenda Chapman, realizadora de Brave – Indomável, Shane Mahan, autor do rosto do Exterminador Implacável ou do T-Rex de Parque Jurássico, ou Claire Wendling, artista da DC Comics e da Disney.

Em torno destes nomes reuniam-se perto de mil jovens e menos jovens profissionais em busca de inspiração, novas experiências ou trabalhos. Desde a sua origem, o número de portugueses na audiência foi sempre minoritário, cativando mais os profissionais da Alemanha, Polónia ou Inglaterra (a média de portugueses rondava os 10%).

“O evento tornou-se um fenómeno e estava na altura de oferecer algo novo e diferente à nossa comunidade: uma nova casa”, diz André Lourenço, citado no comunicado. “Foi por isso que aceitámos o desafio de Malta e estamos muito felizes por fazer parte de um plano ambicioso que tem como objectivo tornar Malta num novo hub para a indústria”. Scott Ross fala de “um paraíso exótico". "[Procurávamos] uma ilha que tivesse todas as infra-estruturas que permitissem receber não só o evento, mas também a nossa tribo”.

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