Infarmed garante que não faltam vacinas contra vírus da hepatite A

Na sequência de um surto de hepatite A, temeu-se que as vacinas estivessem esgotadas.

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A vacina contra o vírus da hepatite A tem de ser prescrita por um médico Marco Duarte/ARQUIVO

O Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde – garante que não faltam vacinas contra o vírus da hepatite A e que o que está a ser feito pelos fabricantes é uma gestão a nível mundial para evitar uma corrida às farmácias. Desde Janeiro, foram identificados mais de 100 casos de hepatite A.

"A gestão nem é nacional, é a nível mundial, para evitar precisamente uma corrida às farmácias. Devem ser os médicos a prescrever a vacina a quem precisa e as farmácias, depois, entram em contacto com os fabricantes", explicou fonte da Autoridade Nacional do Medicamento nesta quinta-feira.

A mesma fonte adiantou que na quarta-feira houve duas reuniões com o Infarmed e os dois fabricantes das vacinas em causa. No mesmo dia, em declarações ao PÚBLICO, o Infarmed admitia que havia poucas vacinas no mercado. "Está esgotadissimo", foi a resposta da maioria das 10 farmácias de Lisboa e arredores contactadas pelo PÚBLICO para averiguar da disponibilidade das vacinas para a hepatite A. 

Também na quarta-feira, na sequência do recente aumento do número de casos de hepatite A notificados na Europa e em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) emitiu uma orientação para os profissionais de saúde.

Nesta orientação, a DGS explica que de 1 de Janeiro a 29 de Março de 2017 foram notificados 115 casos de hepatite A (dos quais, 107 confirmados laboratorialmente) e que 58 doentes foram hospitalizados. Lembra ainda a DGS que do total de casos, 97% são adultos jovens do sexo masculino, principalmente residentes na área de Lisboa e Vale do Tejo (78 casos).

Nas amostras clínicas correspondentes a 55 doentes, a análise do vírus identificou uma estirpe relacionada com viajantes que regressaram da América Central e do Sul, também identificada em Espanha, no Reino Unido, e em outros países europeus.

"Num caso importado foi demonstrada a estirpe associada ao cluster (...) relacionado com um festival de Verão na Holanda e um surto em Taiwan", explica a DGS.

A infecção por VHA pode ser assintomática, subclínica ou provocar doença aguda, associada a febre, mal-estar, icterícia, colúria, astenia, anorexia, náuseas, vómitos e dor abdominal. A gravidade da doença aumenta com a idade sobretudo em pessoas que tenham subjacente doença hepática crónica cirrose ou hepatite B ou C crónicas. A hepatite fulminante com insuficiência hepática é rara, ocorrendo em menos de 1% dos casos.

Segundo a DGS, a letalidade é de 0,3-0,6% (aumenta com a idade e atinge 1,8% em doentes com mais de 50 anos). A infecção não evolui para a cronicidade e provoca imunidade para toda a vida.

A vacina contra o vírus da hepatite A não consta do Programa Nacional de Vacinação e, segundo a subdirectora geral da saúde Graça Freitas, tem de ser prescrita por um médico. Em Portugal a vacina é prescrita geralmente no âmbito das consultas do viajante.

Inicialmente, pensou-se que o surto de hepatite A pudesse estar relacionado com o “chemsex, a actividade sexual potenciada por substâncias químicas. No entanto, a Direcção-Geral de Saúde disse que não existia relação entre os dois fenómenos.

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